O site Amazon Muay Thai tem a honra de entrevistar o mestre de Muay Thai Artur Mariano que também é Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Muay Thai, ex-lutador invicto de Muay Thai e MMA, líder e fundador da equipe/referência Champions Factory, comentarista do premiere combate, árbitro de Muay Thai e MMA e ainda fundador do projeto social fábrica de campeões.
SITE: Mestre Artur, muito obrigado por conceder ao site e aos internautas e amantes do muay thai essa entrevista.
Eu que agradeço...
SITE: Como e quando vc começou no muay thai? Quem foi seu primeiro professor?
ARTUR: Comecei aos 10 anos de idade na academia Boxe Thai com o Grão Mestre Luiz Alves
SITE: Com quanto tempo de treino competiu pela primeira vez?
ARTUR: Antigamente não tinha muita competição como hoje, fiz alguns exames de grau e dois anos depois de ter começado estreei no Muay Thai
SITE: Nessa época o muay thai no Brasil ainda engatinhava. Como vc avalia o nível técnico dos lutadores na época?
ARTUR: Antigamente era uma mistura do boxe com o taekewndo, chutava com o peito do pé, usava calça de elanca preta com listra vermelha e faixa na cintura, não pode se comparar aos dias de hoje era infinitamente tecnicamente limitado, porém tinha que ser muito duro para treinar pois não tinha caneleira, tinha muito choque de canela com canela nos treinos o pessoal era muito duro naquela época.
SITE: Como foi que o muay thai começou a alavancar no Brasil?
ARTUR: Dos anos de 1988 a 1992 foram anos de grande expressão, depois teve uma caída grande e voltou aparecer devagar em 1997.
SITE: Quem foram as pessoas responsáveis pela disseminação do muay thai no país?
ARTUR: Tiveram pessoas importante mas considero o mais importante o Grão Mestre Luiz Alves pois no pior momento da modalidade quando muitos professores largaram a modalidade uns viraram treinadores de boxe, personal , ele continuou firme no muay Thai, o ponto importante aconteceu em 93 a 94 quando o Grão Mestre trouxe o Shirran Thon Haring da academia Chakuriki para um seminário dentro da academia Boxe Thai e convidou todos os professores da modalidade a participar, daquele dia para frente o Muay Thai brasileiro tomou outra cara, no ano seguinte ele foi para Holanda e levou o atleta Pedro Rizzo, ficou dois meses por lá, quando voltou fez muitas modificações, tirou a calça e a faixa e botou o short, começou a trabalhar a combinação de golpes que ninguém sabia o que era isso, mostrou como puxar e bater um pau (manopla de Muay Thai). Por esses e muitos outros que considero o mais importante nesse crescimento.
SITE: Voce foi morar na Holanda logo após sua vitória em luta histórica com Wanderley Silva na época em que o muay thai no Brasil ainda estava caminando a passos lentos. A Holanda tem o muay thai mais técnico do mundo e já forjou grandes nomes. O que você achou logo que começou a treinar nesse país? sentiu muitas dificuldades em relação aos treinos e a parte técnica ?
ARTUR: Senti no começo o frio, os sparrings grandes, na parte técnica nem tanto pois o grão mestre Luiz Alves tinha trazido muita coisa para agente no Brasil. Depois de dois meses estava mais do que adaptado em todos os sentidos.
SITE: Quem foi seu teinador na Holanda? que equipe?
ARTUR: Shiran Thon Haring (Chakuriki), Peter Veschurren (não tinha academia) e Milton Felter (não tinha academia).
SITE: Onde você morava na Holanda?
ARTUR: Comecei morando na academia Chakuriki, depois passei um tempo na casa de um amigo chamado Alexandre Chadu, depois morei com umas amigas e finalizei dividindo uma casa em Amsterdam nas costas do Vanderpark com um baiano muito gente boa que se chamava Palito.
SITE: Você conheceu muitos lutadores na europa. Algum em especial te impressionou mais?
ARTUR: Sempre gostei da raça e da determinação do Peter Aerts, da técnica do Ernest Hoost, da técnica e determinação do meu segundo treinador Peter Veschurrem que não tinha a mão direita e foi campeão mundial de Muay Thai e do meu ultimo treinador Milton Felter que tinha um arsenal de contragolpes.
SITE: Por que você parou de lutar?
ARTUR: Tive um problema na perna de trombose, isso que me fez parar tão cedo.
SITE: Como surgiu a idéia de montar uma equipe?
ARTUR: No momento que não poderia mais lutar tinha que dar continuidade ao trabalho e por isso que surgiu a Champions Factory que irá completar seus 10 anos de vida. Vamos comemorar essa data no ano que vem (2011).
SITE: Quais foram suas maiores dificuldades no começo da sua carreira como treinador?
ARTUR: No começo quando abri academia, tinha vários horários, na primeira semana e dava aula como se fosse aula particular pois só tinha um aluno em cada horário, levou uns dois anos para que tudo andasse .
SITE: Voce já teve lutadores seus em alguns dos maiores eventos de luta do mundo e convites de muitos outros. Por que ultimamente não estamos mais vendo lutadores da champions factory em grandes eventos?
ARTUR: Foi uma fase inicial onde aceitávamos atletas de todos os lugares, esses não tinha a filosofia da academia, hoje temos uma base para seguir enfrente, em pouco tempo teremos atletas nos maiores eventos. No Muay Thai estamos com uma turma boa que sempre está no topo.
SITE: Que nomes atualmente você poderia citar como futuras promessas em sua equipe?
ARTUR: Não vou citar nomes, temos uma turma com base que vai aparecer já já.
SITE: Vc possui um projeto social chamado fábrica de campeões. Alguém do projeto tem se destacado?
ARTUR: Tem uma turma boa lá que está vindo, estamos com uma base e a partir daí teremos nossos resultados.
SITE: O projeto tem em média quantos alunos ?
ARTUR: Estamos com uma turma total de 220 alunos, nessa época de final de ano e carnaval deu uma caída que é normal.
SITE: A sua equipe é muito grande e possui filiais em diversas cidades brasileiras e no exterior. Como você avalia o desenvolvimento das filiais?
ARTUR: Temos varias filiais, mas destaco a de Manaus que vem crescendo a cada més com o trabalho do Professor Didimo Neto e a de Minas Gerais com o Professor Lamar da Silva.
SITE: Você esteve recentemente na Tailandia e Holanda. Como avalia o muay thai do Brasil em relação a esses países que são os dois maiores pólos mundiais da luta?
ARTUR: O Brasil realmente evolui muito, falta pouco para igualarmos nosso Muay Thai acho que mais uns dois a quatro anos teremos atletas brigando no K-1 e em competições estrangeiras.
SITE: Em quanto tempo você acredita que veremos mais lutadores de muay thai brasileiros nos maiores eventos da modalidade no mundo? Atualmente quem são os brasileiros que vc pode citar que estão lutando intrernacionalmente ou que pelo menos tem condições de lutar no exterior?
ARTUR: Acho que o que vai mais pesar é o aspecto psicológico, pois já estamos muito próximos desta condição, não vou citar nomes mas teremos de dois a quatro anos brasileiros por lá em condições.
SITE: Mestre artur ,pra finalizar gostaria de agradecer mais uma vez pela entrevista e gostaria que você deixasse uma mensagem pros internautas.
ARTUR: Procure uma academia filiada a Confederação Brasileira de Muay Thai, para dar continuidade num lugar reconhecido e sério.Parabenizo o belo trabalho que o Professor Didimo Neto está fazendo, deve continuar assim. |